Modelo para armar, 2022


Clippings from magazines published between 1973 to 2022 on cardboard boxes
Recortes de revistas publicadas entre 1973 a 2022 sobre caixas de papelão

In the installation Modelo para armar (A Model Kit) that occupies the gallery's main room, nouns cut from magazines published in Brazil since 1973 (the artist's birth year) are glued onto fragments of cardboard boxes, which can no longer be reassemble as boxes. The concepts of historical, political, affective, relational narratives and language itself detour into crisis and are there like a puzzle, to be reassembled, rearranged, resignified.

“The now useless boxes harbor historical, political, affective narratives, and language itself enters the picture to be rearranged and re-signified like projectiles in a symbolic operation. The piece’s title references a book by Julio Cortázar, in which he spins a narrative out of mutable pieces, in an ‘assembly’ where various word displacements set out to purge any fixedness, opening up meanings so the reader can assemble the elements their own way and ultimately write the story themselves. The work of Marilá Dardot also calls upon us as active readers. Her work is not intended to produce stationary meaning; it does not produce subject-fixating explanations of any sort. Her work is a kind of anchoring that is also adrift and invites the production of new words that may recreate existence, in the very vertigo of unfamiliarity.”
* Except from the text by Bianca Dias on the exhibition ainda sempre ainda


Na instalação Modelo para armar, que ocupa a sala principal da galeria, substantivos cortados de revistas publicadas no Brasil desde 1973 (ano de nascimento da artista) são cola¬dos sobre fragmentos de caixas de papelão, que já não funcionam para remontar as caixas originais. Os conceitos de narrativas históricas, políticas, afetivas, relacionais e a própria linguagem entram em crise e estão aí como um quebra-cabeças, a serem remontados, rearranjados, ressignificados. 

“As caixas, que já não servem para serem utilizadas, funcionam como abrigo de narrativas históricas, políticas, afetivas e a própria linguagem entra em cena para ser rearranjada e ressignificada como projéteis de uma operação simbólica. O título da obra é uma referência a um livro de Julio Cortázar em que o escritor faz a narrativa a partir de peças mutáveis, em uma ‘armação’ em que deslocamentos diversos das palavras procuram eliminar qualquer fixidez, abrindo os sentidos para que o leitor faça sua montagem pessoal dos elementos e acabe por escrever a história. A obra de Marilá Dardot também nos convoca como leitores ativos. Seu trabalho não visa à produção de um sentido estanque, não produz nenhum tipo de explicação que fixe o sujeito. Sua obra é uma espécie de ancoragem que também é deriva e convida à produção de novas palavras que possam recriar a existência, na vertigem mesma do estranhamento.”
*Trecho do texto de Bianca Dias sobre a exposição ainda sempre ainda 

Lista de palavras:
o abismo, a alegria, a (des) educação, a abertura, o abuso, o amanhã, o acordo, a agonia, o acontecimento, o amor, a agressão, o ajuste, as águas, o ano, a alegria, a beleza, a alternativa, o armário, o apocalipse, o centro, as armas, a ascensão, o aquecimento, as condições, a arte, a atitude, o ar, a contramão, o atraso, o básico, a armadilha, o corpo, a biblioteca, a bolha, a bomba, a década, a brincadeira, o boom, as causas, o delírio, a burrice, a branquitude, a cidade, o desafio, os caminhos, a casa, a ciência, o desmonte, o caos, a censura, as cinzas, o divertimento, o capitalismo, o congelamento, o contemporâneo, o engano, o carnaval, o consenso, o controle, a ética, a civilidade, o contragolpe, a conversa, os gêneros, o clitóris, a democracia, o crepúsculo, a greve, o colapso, a diferença, a culpa, a história, o conceito, os dilemas, a cura, o humor, o consumo, o dinheiro, o desejo, a ideologia, o corte, a ditadura, o desenvolvimento, o impensável, o crime, a doença, a devastação, o imperfeito, a crise, o erro, a discórdia, a independência, a culpa, a esperança, a discussão, a infância, a decisão, a estrela, a diversidade, a invasão, o desafio, a farsa, a era, a lei, o desenvolvimento, a ficção, a escolha, os livros, o desespero, o fim, a falta, a lógica, a desobediência, a floresta, a família, a loucura, a direita, a foto, a festa, o machismo, o drama, o funeral, a fome, o macho, as entrelinhas, a guerra, a fonte, o mapa, a esfinge, o homem, a fraqueza, a matança, o espaço, a hora, o golpe, a mídia, o esquema, a imagem, a gripe, a misoginia, a estratégia, a indignação, a inclusão, os muros, a falência, a inflação, a liberdade, a negação, a força, o jogo, a linguagem, o novo, a fronteira, a justiça, a máquina, o otimismo, o futuro, a luta, a marcha, o papelão, o grito, a mamata, a meia idade, a pausa, a intolerância, o meio do caminho, o mercado, o pensamento, a invasão, a mira, o mesmo, o privilégio, o jeitinho, o momento, o milênio, a razão, as lágrimas, a mulher, a nostalgia, a reabertura, o mar, o neoliberalismo, a ocupação, a realidade, o massacre, as obras de arte, a oportunidade, as ruas, o meio ambiente, o ódio, a oposição, a saúde, o modelo, a opção, a opressão, o século, a morte, a paciência, a ordem, o símbolo, o mundo, a paisagem, o pacto, o sistema, o nada, a pandemia, o passado, a solução, a necrologia, o paraíso, a paz, a terra, a notícia, a pergunta, o plebiscito, o underground, o que importa, o pesadelo, a política, o vazio, a obra, a pobreza, o preço, o veneno, o ocaso, o populismo, a primavera, a verdade, as palavras, o prazer, as redes, o vírus, a paranoia, o presente, a república, a voracidade, a perda, a promessa, o sangue, a xenofobia, o planeta, o racismo, a selva, o poço, o retorno, o sexo, o poder, a revolução, o silêncio, a polarização, a segurança, o terror, a polêmica, o simples, o zero, o possível, a tecnologia, o pranto, a toga, o progresso, a transição, o radicalismo, a tristeza, a raiva, a vanguarda, a renovação, a velocidade, o repouso, a vida, a resposta, a voz, o romance, a saída, o segredo, o sexismo, a sociedade, o sol, a solidão, o sonho, o susto, o tempo, o terror, a tormenta, a tortura, a tragédia, os transformo, a virada, a volta.



Libros y, 2022


Galvanized steel profile and enamel painting | Variable dimensions
Perfil de aço galvanizado e pintura esmalte | Dimensões variadas

The “LIBROS Y” series was born from the artist’s en- counter with a street sign in Mexico City that adver- tised a publishing house: LIBROS Y EDITORIALES. The typology and material of that sign are reproduced to create other associations, as possible categories of an imaginary library in which books appear as subjects that catalyze feelings and actions. 

“The events the book can generate, in the intimate as well as the political spheres, find a new world through words: pleasure, rebellion, subversion, disaster, potencies, transformations or insurrections. The lettering indicates that the rewriting of words that compose history must be done one letter at a time – an adventure which transcends communication and meaning to touch on an inscrutable point: its ‘contact point with the unknown.’ The experiences that the words in the lettering carry do not target meaning directly, but scurry through the lines which, first and foremost, are bets on the subversion of language and its transfiguring power. Such transfiguring is highlighted by Roland Barthes, who argues: ‘All poetry, all unconscious is a return to the letter,’ an adventure situated at the margins of the purported purposes of language, and precisely for that reason, at the center of its action.” 
* Except from the text by Bianca Dias on the exhibition ainda sempre ainda


A série “LIBROS Y” nasce do encontro da artista com um letreiro de rua na Cidade do México que anunciava uma casa editorial: LIBROS Y EDITORIALES. A tipologia e o material daquele letreiro são reproduzidas para criar outras associações, como categorias possíveis de uma biblioteca imaginária em que os livros aparecem como sujeitos catalizadores de sentimentos e ações. 

“Os eventos que o livro pode gerar, tanto no contexto íntimo quanto no político, encontram um novo mundo a partir da palavra: prazer, rebelião, subversão, desastre, potências, transformações ou insurreições. Seus letreiros sinalizam que, para reescrever as palavras que compõem a história, devemos fazê- lo letra a letra – uma aventura que vai além da comunicação, além do sentido e toca um ponto insondável: o seu ‘ponto de contato com o desconhecido’. As experiências trazidas nas palavras dos letreiros não visam diretamente o sentido, mas vasculham os traços que são, antes de mais nada, apostas na subversão da língua e de seu poder transfigurador. Essa transfiguração é destacada por Roland Barthes
que afirma: ‘Toda a poesia, todo inconsciente são uma volta à letra’, uma aventura que se situa à margem das pretensas finalidades da linguagem e, justamente por isso, no centro de sua ação.”
*Trecho do texto de Bianca Dias sobre a exposição ainda sempre ainda


Ações do mundo, 2022


Peeled book covers about world nations and index pages | 120 x 166 cm
capas de livros sobre nações do mundo descascadas e páginas de índices


Book covers from the “Nations of the World” collection are undone, leaving fragments of maps and composing new geographies.

The indexes of the same books announce chapters that describe countries using nationalist phrases. A part of the fabric of the cover, folded, gives the title to the work: Actions of the world.

“In Ações do mundo (Actions of the world), her act of attempting to tear off the covers of books on nations of the world reveals the beauty of map fragments that compose new geographies. The books’ indexes announce chapters that describe countries in nationalist, imperious sentences. A portion of fabric from the cover, folded over, gives the piece its title, subverting the idea of nation into action: nations become the world’s actions, destabilizing the familiar world through inventive handling of language, promoting the mestizaje of heterogenous substances: word and image which, in the strength of a gesture or a fold, reveal that the experience of reinhabiting the body and inhabiting the word can found the world anew.”
* Except from the text by Bianca Dias on the exhibition ainda sempre ainda


Capas de livros da coleção “Nações do Mundo” são desfeitas, deixando fragmentos de mapas, compondo novas geografias.

Os índices dos mesmos livros anunciam capítulos que descrevem países a partir de frases nacionalistas. Uma parte do tecido da capa, dobrada, dá título ao trabalho: Ações do mundo.

“Em Ações do mundo, seu ato de tentar arrancar capas de livros sobre nações do mundo revela a beleza de fragmentos de mapas que compõem novas geografias.
Os índices dos livros anunciam capítulos que descrevem países a partir de frases nacionalistas e imperiosas. Uma parte do tecido da capa, dobrada, dá título ao trabalho, subvertendo a ideia de nação para ação: as nações se tornam ações
do mundo desestabilizando o mundo familiar pelo manuseio inventivo do idioma, promovendo a mestiçagem de substâncias heterogêneas: palavra e imagem que, pela força do gesto ou de uma dobra, revelam que a experiência de reabitar o corpo e habitar a palavra pode refundar o mundo.” 
*Trecho do texto de Bianca Dias sobre a exposição ainda sempre ainda


O Brasil o Brasil, 2022


Collage of magazine clippings on aluminum composite board | 5x210 cm
Colagem de recortes de revistas sobre placa de alumínio composto


Clippings from magazines published in Brazil since 1973 (the year Dardot was born) with the words “O Brasil” are pasted on neutral colored surfaces. The different colors, typologies and ages symbolize attempts to define a deconstructed country.

“(...) an idea of country gets recreated in O Brasi o Brasil (The Brazil the Brazil). Invoking the thickness of the word in its apparent simplicity, the words ‘The Brazil’ – also clipped from old magazines – are pasted on a neutral- color surface, yet different colors and typologies come across as an essay of acute political strength.“
* Except from the text by Bianca Dias on the exhibition ainda sempre ainda


Recortes de revistas publicadas no Brasil desde 1973 (ano em que Dardot nasceu) com as palavras “O Brasil” são coladas em superficies de cor neutra. As diferentes cores, tipologias e idades simbolizam tentativas de definir um país em desconstrução.

“ (...) se recria uma ideia de país em O Brasil o Brasil. Invocando a espessura da palavra em sua aparente simplicidade, as palavras “O Brasil” – também recortadas de revistas antigas – são coladas sobre uma superfície de cor neutra, mas diferentes cores e tipologias se apresentam como um ensaio de aguda força política.“ 
*Trecho do texto de Bianca Dias sobre a exposição ainda sempre ainda


Linha do tempo, 2022


Collage of magazine clippings on aluminum composite board | 5x320 cm
Colagem de recortes de revistas sobre placa de alumínio composto


“In Linha do tempo (Timeline), another fold takes place: adverbs clipped from magazines publishe in Brazil since 1973 – the artist’s year of birth – and pasted on a surface create a timeline that projects the possibility of another passage, that trickles down amidst the words, a curve that scrambles up past, present and future. The questions therein delve deeper into the discussion ushered in by Georges Didi- Huberman in “Before time”: the realm of a complex, diffuse temporality. He argues that the thinking of Walter Benjamin, which underlies his anachronistic model, suggests that all historical narratives are composed of an assembly of heterogeneous elements. In Benjaminian terms, there is a currency to the past as seen through images. In the timeline Marilá Dardot creates, what comes into play is precisely the immoderateness of this impossibility, a wager on the minor revolution wrought by the dialectic effect that takes place between word and image, supporting enunciation as the last way out of the imaginary and political onslaught.“
* Except from the text by Bianca Dias on the exhibition ainda sempre ainda



“Em Linha do tempo outra dobra se configura: advérbios recortados de revistas publicadas no Brasil desde 1973 – ano de nascimento da artista – e colados sobre uma superfície, formam uma linha de tempo em que se projeta a possibilidade de uma outra passagem, que escoa por entre as palavras, uma curva que embaralha passado, presente e futuro. As questões ali abrigadas aprofundam a discussão anunciada por Georges Didi-Huberman em “Diante do tempo”: a dimensão de uma temporalidade complexa e difusa. Para ele, o pensamento de Walter Benjamin, que está na base de seu modelo anacrônico, sugere que qualquer narrativa histórica é feita por uma montagem de elementos heterogêneos. Em termos benjaminianos, há uma atualidade no passado quando este é visto através das imagens. Na linha do tempo criada por Marilá Dardot, o que se coloca em cena é justamente a desmedida desse impossível, uma aposta na pequena revolução que acontece pelo efeito dialético que se dá entre palavra e imagem, sustentando a enunciação como última saída ao massacre imaginário e político.”
*Trecho do texto de Bianca Dias sobre a exposição ainda sempre ainda


Palavra figura de espanto, 2022


Peeled book covers and Letraset| 27x189 cm
Capas de livros descascadas e Letraset

“In Palavra figura de espanto (Word figure of amazement), peeled-off book covers touch the evanescent materiality of word pairs which, in damaged, dusty spots, promote encounters and grooves that outline alternatingly improbabl and tense, fluid and harmonic horizons, showcasing the ambiguous, delirious dimension of the word. The amazement in the face of the word – or word itself as a “figur of startlement” – resides in th act of tearing off books’ covers to reveal the pictorial remnants and layers, down to the actual groove created by writing upon the surface: remembrance of the walls of a cave that eventually led us to paper. The artist recognizes that in this journey, an entire trajectory of writing, or of letter, to be more exact: from stylus to quill, from quill to pen, from cursive to block letters, from manuscript to typography and the printing press. As a gesture of resistance, writing survives by welcoming the unsayable and unpronounceable, while also overtaking it with a warehouse’s worth of signs that hails the encounter with other voice and handwritings. Out of so many words – tired and livid, secretive and magical, uttered and held back – a world is forged: from impotence to the impossible, a different map with its marks, stains and coastlines.“
* Except from the text by Bianca Dias on the exhibition ainda sempre ainda


“Em Palavra figura de espanto, capas descascadas de livros tocam a materialidade evanescente de palavras que, em duplas, nos pontos de estilhaço e poeira promovem encontros e ranhuras que desenham horizontes ora improváveis e de tensão, ora de fluidez e harmonia, mostrando a dimensão ambígua e delirante da palavra. O assombro diante da palavra – ou a própria palavra como “figura de espanto” – se abriga no ato de arrancar a capa dos livros, dando a ver os
restos e camadas pictóricas até a sulcagem mesmo da superfície com a escrita: rememoração das paredes de uma caverna que, mais tarde, nos conduzem ao papel. A artista reconhece que nesse trajeto se desenha todo um percurso da grafia, ou mais propriamente da letra: do estilete à pena, da pena à caneta,
da letra cursiva à letra de forma, do manuscrito à tipografia e à imprensa. Como gesto de resistência, a escrita sobrevive acolhendo o indizível e o impronunciável, mas não deixando de operar também sua ultrapassagem com um armazém de sinais que celebra o encontro com outras vozes e grafias. Das palavras tantas – entre as cansadas e pálidas, secretas e mágicas, ditas e caladas – forja-se um mundo: da impotência ao impossível, um outro mapa com suas marcas, manchas e litorais.“
*Trecho do texto de Bianca Dias sobre a exposição ainda sempre ainda



ainda sempre ainda, 2022


Spray paint on glass and painted wooden frame| 130 x 200 cm
Pintura spray sobre vidro e moldura em madeira pintada|130 x 200 cm


In ainda sempre ainda (still always still), a painting on glass monumentalizes the words AINDA (STILL) and SEMPRE (ALWAYS) as a superposition of meanings through a semantic game. The two adverbs have the power to modify sentences and meanings, but, devoid of verbs, they remain stagnant.


Em ainda sempre ainda, uma pintura sobre vidro monumentaliza as palavras AINDA e SEMPRE enquanto uma sobreposição de sentidos por via de um jogo semântico. Os dois advérbios têm o poder de modificar frases e sentidos, mas, desprovidos de verbos, permanecem estagnados.


Domine seu idioma, 2021


Permanent marker on books and wooden transport crate | 125 x 61 x 28 cm
Marcador permanente sobre livros e caixa de transporte em madeira


While compiling the units of a language, dictionaries also represent a paradigm in which words perpetuate the powers and privileges of a particular class or nation. In Domine seu idioma (Master your language), a collection of dictionaries is used as the basis for a lexical game with expressions associated with speech. The idea of a common language is replaced by that of “their language”, presupposing differences and dissidences, opening gaps for new plural articulations. 

Domine seu idioma (Master your language), a saying the artist found in a dictionary, takes on fresh meaning. Once again, the exploration of letters in their graphical, imagistic aspect opens doors to a dimension of language that will not allow itself to be fixated by any deciphering. A set of piled-up dictionaries with intense chromatic power, representing a paradigm whereby words perpetuate power and privilege, gets reclaimed in an unpredictable future. Words, in turn, will not allow themselves to be easily taken as pieces of a discourse. They glide, creating an ethics that points to the reverse of an imperative order.” 
* Except from the text by Bianca Dias on the exhibition ainda sempre ainda


Ao mesmo tempo em que compilam as unidades de uma língua, os dicionários também representam um paradigma em que as palavras perpetuam poderes e privilégios de uma determinada classe ou nação. Em Domine seu idioma, uma coleção de dicionários é o suporte para um jogo léxico com expressões associadas à fala. A ideia de um idioma comum é trocada pela de “seu idioma”, pressupondo diferenças e dissidiencias,  abrindo brechas para novas articulações plurais. 

Domine seu idioma, frase que a artista encontrou em um dicionário, ganha novo sentido. Novamente, a exploração da letra em seu aspecto gráfico, imagético, abre as portas de uma dimensão da linguagem que não se deixa fixar em nenhuma decifração. Um conjunto de dicionários empilhados com intensa força cromática, representando um paradigma em que as palavras perpetuam poderes e privilégios, é retomado em um devir imprevisível. As palavras, por sua vez, não se deixam tomar pacificamente como partes de um discurso. Elas deslizam criando uma ética que aponta para o avesso de uma ordem imperativa.” 
*Trecho do texto de Bianca Dias sobre a exposição ainda sempre ainda


A alegria é a prova dos nove ou
Nossa carne é de carnaval
, 2021


Acrylic painting on fabric
Pintura acrílica sobre tecido


When the curator Julia Lima invited me to the show Ninguém vai tombar nossa bandeira (Nobody will topple our flag) at Centro Cultural da Diversidade, I wanted to empower the Braziliam diversity of genders, identities, ethnicities, ancestry and origins. Diversity that claims to be revolutionary when it comes together in JOY (ALEGRIA).

Alegria é a prova dos nove ou Nossa carne é de carnaval is a flag made of fabric scraps printed with rebellious lines, which are launched in various directions and colors, mixed together as in a carnival party.


Quando a curadora Julia Lima me convidou para participar da exposição “Ninguém vai tombar nossa bandeira” no Centro Cultural da Diversidade, quis fazer um trabalho afirmativo da potência e da diversidade brasileiras, que é de gêneros, de identidades, de etnias, de ancestralidades e origens. Diversidade que se afirma revolucionária quando se junta na alegria.

A alegria é a prova dos nove ou Nossa carne é de carnaval é uma bandeira é construída por retalhos de tecidos estampados por linhas rebeldes, que se lançam em várias direções e cores, misturadas como num bloco de carnaval.


Perguntas apropriadas | Respostas apropriadas, 2020

Series of collage | 21 x 29,7 cm (each)
In April 2020, I found a book on an abandoned property. Although they fit precisely in the pandemic era, the phrases used to make the diptychs Perguntas apropriadas e Respostas apropriadas (Proper Questions and Proper answers ) Answers" collages were all cut from this book, a novel called Women in White, written by Frank G. Slaughter in 1967.


Em abril de 2020 encontrei um livro em um imóvel abandonado. Apesar de adequarem-se com precisão ao momento de pandemia, as frases usadas para elaborar os dípticos Perguntas apropriadas e Respostas apropriadas foram todas recortadas desse livro, uma novela chamada Mulheres de Médicos, escrita por Frank G. Slaughter em 1967.

Los cuatro puntos cardinales son tres: el Sur y el Norte, 2019

Steel weather vane | 200 x 95 x 95 cm
The title Los cuatro puntos cardinales son tres: el Sur y el Norte (The four cardinal points are three: the South and the North) is a verse by the Chilean poet Vicente Huidobro. Using internal contradictions in the construction of the verse, Huidobro clarifies relations of hierarchy, power and exploitation between North and South. The sculpture is a weather vane that continues to reduce the four cardinal points to one, claiming a southern view of the world.


O título Los cuatro puntos cardinales filho tres: el Sur y el Norte (Os quatro pontos cardeais são três: o Sul e o Norte),é um verso do poeta chileno Vicent Huidobro. Usando contradições internas na construção do verso, Huidobro esclarece relações de hierarquia, poder e exploração entre o Norte
e sul. A escultura é um cata-vento que continua a reduzir os quatro pontos cardinais a um, reividicando uma visão sulista do mundo.


Ir y volver, 2019


Single channel video | 12'52" | HD, color, sound | 16:9
I write with water the sentence “A la esperanza vuelvo” on a light blue wall by the river. As the sun erases the words, I keep writing it over and over again, until I run out of water. Ir y volver was first presented as a performance in Matanzas, Cuba, for the XIII Bienal de La Habana. “A la esperanza vuelvo” is a verse by Carilda Oliver Labra, a Cuban poet who has always lived there.


Escrevo com água a frase “A la esperanza vuelvo” sobre uma parede azul-clara junto ao rio em Matanzas, Cuba. Enquanto o sol apaga as palavras, continuo escrevendo repetidas vezes, até acabar água. Ir y volver foi apresentado pela primeira vez como uma performance na XIII Bienal de La Habana, em Matanzas, Cuba. “A la esperanza vuelvo” é um verso de Carilda Oliver Labra, poeta cubana que viveu lá toda sua vida.

Bienvenidos, 2017

Exhibition view: Bienvenidos, ArredondoArozarena, Mexico City, 2017
Aluminum sign, black plastic | 360 x 35 x 5 cm (141.73 x 13.78 x 1.97 in)

The migration route is one marked by signs, perverse terms and procedures. The greeting signal that every border crossing confers its visitors, is not destined for all. 
* Excerpt from text by Tatiana Cuevas on the exhibition

 
A rota de migração é marcada por sinais, termos e procedimentos perversos. O letreiro de saudação que toda passagem de fronteira confere a seus visitantes não é destinado a todos. 
*Trecho do texto de Tatiana Cuevas sobre a exposição Bienvenidos



Ominosos, 2017

Exhibition view: Bienvenidos, ArredondoArozarena, Mexico City, 2017
21 Lead sculptures | 9.06 x 11.81 in (each)

When in 2014 the United States declared a migratory crisis considering the sudden increase of children detained on the US-Mexico border, and the first deportation of a group of children to San Pedro Sula, Honduras occurred, the very prestigious news agency Reuters reported the event with disconcerting ingenuity: “Looking happy, the deported children left the airport under a cloudy sky and a hot afternoon. One by one, they got on a bus, playing with balloons that had been given to them”. For Marilá Dardot, an artist whose attention is focused on the fragile intersection between language and its supports (the word, the page, the book, the wall) and who has explored the terms of that relationship in political speech and its discrepancies, that feeble and quiet signal of the return to innocence that expressed the tragedy of a hopeless journey. In reproducing these globes with the ominous weight of lead, Dardot alludes to the transnational resistance to recognize the shared responsibility of this exodus, as well as to the physical threats that chase migrants beyond their places of origin. 
* Excerpt from text by Tatiana Cuevas on the exhibition


Quando, em 2014, os Estados Unidos declararam uma crise migratória, considerando o súbito aumento de crianças detidas na fronteira EUA-México, a prestigiada agência de notícias Reuters relatou a primeira deportação de um grupo de crianças para San Pedro Sula, Honduras, com desconcertante ingenuidade: “Parecendo felizes, as crianças deportadas deixaram o aeroporto sob um céu nublado e uma tarde quente. Uma a uma, pegaram um ônibus, brincando com balões que lhes haviam sido dados”. Para Marilá Dardot, uma artista cuja atenção se concentra na frágil intersecção entre a linguagem e seus suportes (a palavra, a página, o livro, o muro) e quem explorou os termos dessa relação na fala política e suas discrepâncias, esse débil e silencioso retorno à inocência expressou a tragédia de uma jornada sem esperança. Ao reproduzir esses globos usando o peso sinistro do chumbo, Dardot alude à resistência transnacional para reconhecer a responsabilidade compartilhada desse êxodo, bem como às ameaças físicas que perseguem os migrantes além de seus lugares de origem. 
*Trecho do texto de Tatiana Cuevas sobre a exposição Bienvenidos


Interdito, 2017

Exhibition view: Interdito, Galeria Filomena Soares, Lisbon, 2017
Installation | 9 bundles of white paper distributed in 3 piles, 14 books | 300 x 200 x 100 cm (each pile)

Installation composed of bundles of paper tied with wire and stacked one on the other. Among the bundles, the artist placed some copies of forbidden books in Portugal (all writen by women, among them the famous Novas Cartas Portuguesas, 1972), which here
are crushed by the weight of censorship, a crushing machine of creative and intellectual freedom. The physical and visual impact of its presence in space refers to the idea of the wall as a barrier and an inescapable symbol of interdiction. The artist challenges the viewer to navigate the space, to circulate between the volumes, fostering an interaction between body, object and space. 
* Excerpt from text by Inês Grosso on the exhibition Interdito


Instalação-arquivo de caráter efêmero composta por fardos de papel amarrados com arame e empilhados uns sobre os outros. Entre os fardos, o artista colocou algumas cópias de livros proibidos em Portugal (todos escritos por mulheres, entre eles as famosas Novas Cartas Portuguesas, 1972), que aqui surgem esmagados pelo peso da censura, máquina trituradora da liberdade criativa e intelectual. O impacto físico e visual da sua presença no espaço remete à ideia de muro enquanto barreira e símbolo inescapável da interdição. A artista desafia o espectador a percorrer o espaço, a circular por entre os volumes, potenciando uma interação entre corpo, objeto e espaço. 
*Trecho do texto de Inês Grosso sobre a exposição Interdito


O Leitor, 2017

Exhibition view: Interdito, Galeria Filomena Soares, Lisbon, 2017
Installation | 18 paper folders, typewritten texts on blue paper | 32 x 24,5 x 32 cm (each folder)

Reports and orders issued by Direção dos Serviços da Censura (censorship services in Portugal) typed by the artist herself on 25-line blue paper and highlighting red excerpts, expressions or words in a series of blue file folders. In the work O Leitor (The Reader), the result of a long and exhaustive research at Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Public library in Lisbon), the word emerges as living matter, as a symbolic place of resistance, freedom and subversion. 
* Excerpt from text by Inês Grosso on the exhibition Interdito


Relatórios e despachos emitidos pela Direção dos Serviços da Censura datilografados pela própria artista sobre papel azul de 25 linhas, destacando em vermelho trechos, expressões ou palavras numa série de pastas de pastas azuis. Fruto de uma longa e exaustiva pesquisa no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, neste trabalho a palavra surge como matéria viva, como lugar simbólico de resistência, liberdade e subversão. 
*Trecho do texto de Inês Grosso sobre a exposição Interdito


Biblioteca maldita, 2017 | Dito, 2017

Exhibition view: Interdito, Galeria Filomena Soares, Lisbon, 2017
Biblioteca maldita | 15 books, Post-it red markers and steel bookshelf | 21 x 28 x 15,5 cm
Dito | 12 dossiers, mineral print on tracing paper | 30 x 32 x 5 cm
 (each)

Fifteen books written by female writers, playwrights and poets, that were forbidden and confiscated during the regime of the so-called Estado Novo in Portugal (New State, from 1933 to 1945) are presented on a shelf on the wall, as a small personal library that allows us to know more intimately the process and method of work of the artist in building their inventory of words and themes for the exhibition Interdito (Interdict). Natália Correia, Maria Teresa Horta, Pamela Moore, Nita Clímaco, Rosa Luxemburgo, Violette Leduc and Maria Archer are some of the names included in this collection.
On the same room, twelve red dossiers installed directly on the wall show pages printed on translucent paper that are waiting to be clad and read by the viewer. The artist creates thematic files, extolling some of the subjects, contents and words from books that, in a general way, were object of censorship during the regime of the so-called Estado Novo in Portugal (New State, from 1933 to 1945): joy, love, sing, body, desire, freedom, marginals (generic file with the words homosexual, lesbian, whore, prostitute, black, nigger, transvestite) woman, orgasm, word, poetry and silence. 
* Excerpt from text by Inês Grosso on the exhibition Interdito


Quinze livros escritos por escritoras, dramaturgas e poetas, que foram proibidos e confiscados durante o regime do chamado Estado Novo em Portugal (1933 a 1945) são apresentados numa prateleira na parede, como uma pequena biblioteca que nos permite conhecer mais intimamente o processo e método de trabalho do artista na construção de seu inventário de palavras e temas para a exposição Interdito. Natália Correia, Maria Teresa Horta, Pamela Moore, Nita Clímaco, Rosa Luxemburgo, Violette Leduc e Maria Archer são alguns dos nomes incluídos nesta coleção.
Na mesma sala, um conjunto de dossiers vermelhos instalados diretamente na parede mostram páginas impressas em papel vegetal que aguardam ser folheadas e lidas pelo espectador. 
A artista cria uma espécie de arquivo temático, exaltando alguns dos assuntos, conteúdos e palavras que, de uma maneira geral, foram objeto de censura durante o Estado Novo em Portugal: alegria, amor, canto, corpo, desejo, liberdade, marginais (arquivo genérico com as palavras: homossexual, lésbica, puta, prostituta, negro, preto, travesti), mulher, orgasmo, palavra, poesia e silêncio.
*Trecho do texto de Inês Grosso sobre a exposição Interdito


Flyleaf, 2017-2022

Series of collages | Flyleaves on Accademia Fabriano paper | Variable dimensions

“Flyleaf” is the name given to those leaves folded in half and glued at the beginning and end of the book, to fasten the kerchief to the hard covers. They are usually decorated or of different color and material from other pages, and have the main function of protecting the core of the book. Flyleaf collage series are formal experiments in which flyleaves from various times and origins are superimposed according to their colors. Layers of graphic and sensory memories, vestiges of books that make us fly beyond their contents.


“Flyleaf” é o nome que se dá, em inglês, às folhas de guarda – aquelas folhas dobradas ao meio e coladas no começo e no fim do livro, para prender o miolo às capas duras. Geralmente são decoradas ou de cor e material diferentes das outras páginas, e têm a função principal de proteger o miolo do livro. As colagens da série Flyleaf são experimentações formais em que folhas de guarda de diversas épocas e origens são sobrepostas, de acordo com suas cores. Camadas de memórias gráficas e sensoriais, vestígios de livros que nos fazem voar para além de seu conteúdos.

A República, 2016

Digital printing on cotton fabric | 90 × 130 cm (each part of 3)

On the evening of 17 April 2016 Brazil’s Chamber of Deputies voted for the “yes” on the impeachment against the President of Brazil, Dilma Rousseff. Watched by tens of millions at home and in the streets, the vote – which was announced deputy by deputy – saw the conservative opposition comfortably secure its motion to remove the elected head of state less than halfway through her mandate.
The house’s 513 members voted one by one, each giving a short speech that rarely referred to the supposed reason for which Ms Rousseff is being impeached — her alleged fudging of the national accounts to hide a budget deficit. “In honour of my wife, who is not well, I vote Yes!” cried one lawmaker. Rightwing congressman Jair Bolsonaro dedicated his vote to Carlos Alberto Brilhante Ustra, the chief of secret police during the country’s military dictatorship of 21 years that started in 1964. Bolsonaro lauded him as “the terror of Dilma Rousseff”, a reference to her suffering as a Marxist guerrilla who was tortured under the dictatorship.
Each piece of A República (The Republic) is a composition in which the speeches justified by família (family), Deus (God) and os meus amigos (my friends) were superimposed in one of the Brazilian flag forms (rectangle, lozenge and circle).


Na noite de 17 de abril de 2016 a Câmara dos Deputados do Brasil votou a favor do processo de impeachment contra a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Assistido por dezenas de milhões de pessoas em casa e nas ruas, a votação viu a oposição conservadora confortavelmente assegurar o seu movimento para remover a chefe de Estado eleita a menos de metade de seu mandato.
Os 513 membros da Câmara votaram um por um, cada um fazendo um breve discurso que raramente se referia à suposta razão pela qual Dilma está sendo acusada – a alegada falsificação das contas nacionais para esconder um déficit orçamental. “Em honra de minha esposa, que não está bem, eu voto sim!”, alegou um deles. O então deputado Jair Bolsonaro dedicou sua votação a Carlos Alberto Brilhante Ustra, o chefe da polícia secreta que torturou a presidente durante a ditadura militar. Bolsonaro elogiou-o como “o terror de Dilma Rousseff”, em referência ao seu sofrimento.
Cada peça de A República é uma composição em que os discursos justificados pela família, por Deus e pelos meus amigos foram sobrepostos em uma das formas de bandeira brasileira (retângulo, losango e círculo).


Demão, 2016

Exhibition view: Guerra do Tempo, Chácara Lane, São Paulo, 2016
Installation | Latex paint on 7 wood panels | Variable dimensions

Based on a historical research, I selected mottos and slogans of various federal administrations in Brazil and protest statements, ranging from “Independence or death” (D. Pedro I, 1822) to the current phrases. The sentences are painted on the exhibition panels at Chácara Lane by advertising painters who formerly painted political advertisements by the city walls. They are painted in black and veiled with white paint, overlapping in chronological order.


A partir de uma pesquisa histórica, selecionei lemas e slogans das diversas gestões federais do Brasil e frases de manifestações populares, que vão de ‘Independência ou morte’ à atual ‘não vai ter golpe’. As frases são pintadas sobre os painéis expositivos da Chácara Lane por pintores letristas, que antigamente pintavam propagandas políticas pelos muros da cidade. Umas sobre as outras, em ordem cronológica, as frases são veladas e sobrepostas, sem nunca apagar completamente a anterior, também ao modo do que acontece na cidade.

Código desconhecido (Chácara Lane), 2016

Exhibition view: Guerra do Tempo, Chácara Lane, São Paulo, 2016
Installation | Book spines glued to mdf, fixed to the wall with Velcro

From the series Código Desconhecido (Unknown code), this work was specially made for the only room at Chácara Lane that was conserved as it used to be. Book spines organized by size into blocks that are similar to illegible bar codes. Once the narratives are vanished, we are left with their structure, which used to put the gathered pages in the correct order.


Da série Código Desconhecido, esta obra foi feita especialmente para a única sala da Chácara Lane que se conservou como antes. Lombadas de livros organizadas por tamanho em blocos que se assemelham a códigos de barras ilegíveis. Apagadas as narrativas, resta-nos a sua estrutura, o que costumava colocar as páginas em conjunto na ordem correta.

Quanto é? O que nos separa, 2015


Video / Performance| 10’43” | Color, sound

A close of yellow posters, like the ones that advertise offers in supermarkets, writen by a professional poster artist writes values collected in a research I carried out in the area of Praça Mauá, in Rio de Janeiro. In its first exhibition, during VISUALISMO ARTE TECNOLOGIA E CIDADE 2015, the video was projected on the facade of Edifício A Noite, while performer Felipe Fly improvised an interaction with the public guided by the research questions.

I made this video for Praça Mauá, a place where people from all walks of life, cultures, professions and backgrounds circulate, a sample of Brazilian society. Although we all live there, there are immense economic and social barriers that segregate us. This work is an attempt to explain and question, once again and always, the inequality that rules Brazil.


Um plano fechado de cartazes amarelos, como os que anunciam ofertas em supermercados, nos quais um cartazista profissional escreve valores colhidos em uma pesquisa que realizei na área da Praça Mauá, no Rio de Janeiro. Em sua primeira exibição, durante o VISUALISMO ARTE TECNOLOGIA E CIDADE 2015, o vídeo foi projetado sobre a fachada do Edifício A Noite, enquanto o performer Felipe Fly improvisava uma interação com o público guiada pelas perguntas da pesquisa.

Fiz este vídeo para a Praça Mauá, um lugar onde circulam pessoas de todas as classes sociais, culturas, profissões e origens, uma amostra da sociedade brasileira. Apesar de convivermos todos ali, há imensas barreiras econômicas e sociais que nos segregam. Este trabalho é uma tentativa de explicitar e questionar, mais uma vez e sempre, a desigualdade que rege o Brasil.


Diário, 2015

Single channel video  118’12” | Video installation (3 or 7 channels) | HD, color, sound

From 8 to 30 January 2015, I made a video every day, using the most impactful of the headlines I read in Mexican newspapers. Written with water on the big concrete wall of the house designed by Tadao Ando, the headlines go off as soon as they are written, materializing the ephemerality of its impact. In the video installation version of the work, the anxiety is accentuated by the simultaneity of projections, and sometimes by some symmetry between the news.
* Work created during residency at Casa Wabi, in Oaxaca, Mexico
Watch the video installation documentation︎︎︎


Entre 08 e 30 de Janeiro de 2015, realizei um vídeo a cada dia utilizando a mais impactante das manchetes que lia em jornais mexicanos. Escritas com água sobre um grande muro de concreto, as manchetes apagam-se logo que são escritas, materializando a efemeridade de seu impacto. Na versão instalativa (3 ou 7 canais), essa angústia é acentuada pela simultaneidade das projeções, e por vezes pela simetria entre as notícias.
* Obra criada durante residência artística da Casa Wabi, em Oaxaca, México.
Assista a documentação da videoinstalação︎︎︎ 
Textos︎︎︎
Todo cinema é uma política, por Beatriz Furtado (Português)︎︎︎ 
Diário: a paixão do gesto, por Amanda Moura (Português)︎︎︎ 
As más notícias, por Maria Angélica Melendi (Português)︎︎︎ 
Las malas noticias, por Maria Angélica Melendi (Español)︎︎︎