ainda sempre ainda 
Solo show, Galeria Vermelho, São Paulo, 2022


Marilá Dardot, represented by Vermelho since it ́s founding in 2002, occupies the gallery’s façade and main building with her 9th solo exhibit at the venue, ainda sempre ainda (still ever still).

In ainda sempre ainda, Dardot’s painting on Vermelho ́s façade monumentalizes the words AINDA (still) and SEMPRE (ever) as a layering of meanings via semantic wordplay. The two adverbs are powerful modifiers of sentences and meanings and yet stagnant when devoid of verbs.

In the installation Modelo para armar (Model kit) that occupies the gallery's main room, nouns cut from magazines published in Brazil since 1973 (the artist's birth year) are glued onto fragments of cardboard boxes, which can no longer be reassemble as boxes. The concepts of historical, political, affective, relational narratives and language itself detour into crisis and are there like a puzzle, to be reassembled, rearranged, resignified.

“The temporal inflection in the exhibition title invokes, at once, the labor of memory. In between figure and ground, clarity and opacity, Marilá Dardot’s gesture is one described by Walter Benjamin: ‘It is about appropriating something dangerous, which clamors to repeat itself with violence. The strength of this artist-like act of reconfiguring the world and time is precisely where repetition can take on new historical and poetical meanings,’” argues Bianca Dias in the exhibition text.


Text by Bianca Dias︎︎︎


Marilá Dardot, representada pela Vermelho há 20 anos, ocupa a fachada e o prédio principal da galeria com ainda sempre ainda, sua 9a individual no espaço.

Em ainda sempre ainda, Dardot cria na fachada da Vermelho, uma pintura que monumentaliza as palavras AINDA e SEMPRE enquanto uma sobreposição de sentidos por via de um jogo semântico. Os dois advérbios têm o poder de modificar frases e sentidos, mas, desprovidos de verbos, permanecem estagnados.

Na instalação Modelo para armar, que ocupa a sala principal da galeria, substantivos cortados de revistas publicadas no Brasil desde 1973 (ano de nascimento da artista) são cola¬dos sobre fragmentos de caixas de papelão, que já não funcionam para remontar as caixas originais. Os conceitos de narrativas históricas, políticas, afetivas, relacionais e a própria linguagem entram em crise e estão aí como um quebra-cabeças, a serem remontados, rearranjados, ressignificados.

“A inflexão temporal que se apresenta desde o título da exposição invoca, de imediato, o trabalho da memória. Entre figura e fundo, clareza e opacidade, o gesto de Marilá Dardot é aquele assinalado por Walter Benjamin: ‘Trata-se de se apropriar de algo perigoso, que clama por se repetir com violência. É justamente na força desse ato de artista de reconfigurar o mundo e o tempo que a repetição pode ganhar novos sentidos históricos e poéticos’”, escreve Bianca Dias no texto sobre a exposição.


Texto de Bianca Dias︎︎︎



A terceira margem do rio e as outras margens
Anozero’19 Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, 2019


Site specific | Text over façade


I created a dialogue between João Guimarães Rosa’s character in “A terceira margem do rio” (1962) and excerpts of Natalia Correia’s poem “Ricochete” (1958), placed on the façade of Santa Clara-a-Nova Convent.Comissioned work for Anozero’19 Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, in Portugal.


Criei um diálogo entre a personagem de João Guimarães Rosa em “A terceira margem do rio” (1962) e trechos do poema “Ricochete” (1958), da portuguesa Natalia Correia, colocados na fachada do convento de Santa Clara-a-Nova. Obra comissionada para a Anozero’19 Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, em Portugal.

Ir y volver
XIII Bienal de la Habana, Matanzas, 2019


Performance

I write with water the sentence “A la esperanza vuelvo” on a light blue wall by the river. As the sun erases the words, I keep writing it over and over again, until I run out of water. Ir y volver was first presented as a performance in Matanzas, Cuba, for the XIII Bienal de La Habana. “A la esperanza vuelvo” is a verse by Carilda Oliver Labra, a Cuban poet who has always lived there.


Escrevo com água a frase “A la esperanza vuelvo” sobre uma parede azul-clara junto ao rio em Matanzas, Cuba. Enquanto o sol apaga as palavras, continuo escrevendo repetidas vezes, até acabar água. Ir y volver foi apresentado pela primeira vez como uma performance na XIII Bienal de La Habana, em Matanzas, Cuba. “A la esperanza vuelvo” é um verso de Carilda Oliver Labra, poeta cubana que viveu lá toda sua vida.

Lisbon blues 
nanogaleria, Lisboa, 2018

Installation | Boxes, posters and stickers discolored by the sun, cardboard and glass shelves
“Lisbon blues is the title of the art installation in the nanogaleria, composed of around thirty boxes, which precisely reflects the markings that Lisbon bares in its contemporaneity. These boxes, as a whole, form a near mono-chromatic blueish blotch. Collected by the artist throughout the course of four months, they have not been subjected to any intervention or pictorial process. The blueish hue they all display is due, in fact, to the solar exposure they were subjected to throughout their existence on the window displays of small Lisbon shops. These boxes that have remained for years on display, and the resulting chromatic changes, are a reflection of the permanence/transience and sustainability/ erratic-change contradictions of the socioeconomic and political dynamics, be they at the neighborhood level, be they at city or country level. Just as the monochromatic hue of the boxes reveals an erasing of the colors that made up their identities – the last colors to resist solar exposure throughout time are blue and black – so do the recent and constant changes in the typical neighborhoods of Lisbon eliminate many of their sociocultural anchors and meeting points and spots of community relations, changing their sustainable urban dynamics in a drastic fashion.”
* Excerpt from text by Luisa Santos and Ana Fabíola Maurício on the installation


“Lisbon blues é o título da instalação composta por cerca de trinta caixas na nanogaleria que reflete, precisamente, as marcas que Lisboa mostra na contempo- raneidade. Estas caixas, em conjunto, formam uma mancha quase monocromática azulada. Coleccionadas pela artista ao longo de quatro meses, não foram sujeitas a qualquer intervenção ou processo pictórico. O tom azulado que todas ostentam deve-se, na verdade, à exposição solar a que foram sujeitas ao longo das suas vidas nas vitrines de pequenas lojas Lisboetas. Estas caixas que permaneceram durante vários anos nas vitrines e as suas consequentes alterações cromáticas são um reflexo das contradições perenidade-efemeridade e de sustentabilidade-inconsistência das dinâmicas socioeconómicas e políticas quer à escala de bairro, quer da cidade e do país. Do mesmo modo que o tom monocromático das caixas revela um apagamento das cores que compõem as suas identidades – as últimas cores a resistir à exposição solar ao longo do tempo são o azul e o preto – também as recentes constantes mudanças nos bairros típicos de Lisboa eliminam muitas das suas âncoras socioculturais e pontos de encontro e de relação da comunidade, alterando de forma drástica a dinâmica urbana sustentável dos mesmos.”
*Trecho do texto de Luisa Santos e Ana Fabíola Maurício sobre a instalação
Lisbon Blues, por Luisa Santos e Ana Fabíola Maurício (Português)︎︎︎



Contramão 
MitoMotim, Galpão VB, São Paulo, 2018

Latex paint on wall

Mottos of Brazilian governments from 1822 to 2018 are the matrix of Contramão (Wrong way). The mottos are painted on the wall, semi-veiled and superimposed in chronological order. The second motto, “Ordem e progresso” (Order and progress), is only half veiled, splicing up with the last 2016 motto (adopted when Michel Temer assumed the presidency of the country after the impeachment of Dilma Rousseff). Comissioned work for the exhibition MitoMotim at Galpão VB, São Paulo.


Os lemas de governos brasileiros de 1822 a 2018 são a matriz do trabalho. Uns sobre os outros, em ordem cronológica, os lemas são pintados sobre a parede, semi-velados e sobrepostos. O segundo lema, Ordem e progresso, é velado apenas pela metade, para emendar-se com o último, de 2016, adotado quando Michel Temer assumiu a presidência do país após o impeachment de Dilma Rousseff. Trabalho realizado sobre a empena do Galpão VB, São Paulo, para a exposição MitoMotim.

Bienvenidos
Solo show, Arredondo Arozarena, Ciudad de México, 2017



Exhibition pdf and text by Tatiana Cuevas︎︎︎

Review – Bienvenidos by Marilá Dardot, by Elliott Burns (English)︎︎︎


Interdito
Solo show, Galeria Filomena Soares, Lisboa, 2017



“For her first solo exhibition in Portugal, the artist developed a series of works that approaches the various dimensions of censorship on the levels of literary production and distribution in Portugal, generated from a selection of fifteen books written by female writers, playwrights and poets, that were forbidden and confiscated during the regime of the so-called Estado Novo (New State, from 1933 to 1945). Dardot occupies both exhibition spaces of Galeria Filomena Soares where she presents a new perspective on a number of themes and issues which have been defining her artistic practice since the mid 2000’s and explores the relationship between silence and Interdict, between the said and the unsaid, between poetry and politics.

The artist questions the right to decide what can be read and what cannot. She re-thinks the notion of the forbidden word and the silenced and unsaid phrases of a generation of female writers and militants of women’s rights on a crucial moment in the history of feminist emancipation. The exhibition investigates pertinent themes of contemporary society and the relations of power that structure it, from the view point of this female artist who has also inherited a culturally legacy profoundly marked by the Brazilian military dictatorship (1964-85). 

Dardot legitimizes and reclaims the right to talk about the body, desire and sexual liberty of women; she questions the connections between women, culture and politics in the context of feminine representation in the literature and the culture of a country. The literary silence of women and the female condition in times of censorship and repression are the major themes of this exhibition, expressed in the works Dito (Said), Interdito (Interdict), O Leitor (The Reader), Biblioteca maldita (Damned Library), O exílio (Exile) and Canto (I sing, realized in collaboration with João Pimenta Gomes).” (adapted from the original curatorial text by Inês Grosso)



“Para a sua primeira exposição individual em Portugal, a artista desenvolveu uma série de trabalhos que abordam as várias dimensões da censura nos níveis de produção e distribuição literária em Portugal, gerados a partir de uma seleção de quinze livros escritos por escritoras, dramaturgas e poetisas, que foram proibidos e confiscados durante o regime do chamado Estado Novo (1933 a 1945). Dardot ocupa os dois espaços expositivos da Galeria Filomena Soares onde apresenta um novo olhar sobre uma série de temas e questões que têm definido a sua prática artística desde o
meados dos anos 2000 e explora a relação entre o silêncio e o interdito, entre o dito e o não dito, entre a poesia e a política.

A artista repensa a noção de palavra proibida e as frases silenciadas e não ditas de uma geração de escritoras e militantes dos direitos das mulheres em um momento crucial da história da emancipação feminista. A exposição investiga temas pertinentes à sociedade contemporânea e as relações de poder que a estruturam, do ponto de vista dessa artista que também herdou um legado cultural profundamente marcado pela ditadura militar brasileira (1964-85).

Dardot legitima e reivindica o direito de falar sobre o corpo, desejo e liberdade sexual das mulheres; ela questiona as conexões entre mulheres, cultura e política no contexto da representação feminina na literatura e na cultura de um país. O silêncio literário da mulher e a condição feminina em tempos de censura e repressão são os grandes temas desta exposição, expressos nas obras Dito, Interdito, O Leitor, Biblioteca maldita, O exílio  e Canto (Canto, realizado em colaboração com João Pimenta Gomes).” (adaptado do texto original da curadoria de Inês Grosso)

Guerra do tempo
Solo show, Chácara Lane, Museu da Cidade, São Paulo, 2016


“Marilá Dardot’s War of Time took place at Chácara Lane in almost fifteen years of lapses, forgetfulness, failed, truncated or even silent communications, where poetic, semantic and power games are established as an ongoing exercise of vanishing and reinventing themselves. Like in [in her work] Guerra del Tiempo, it is the vacuum of elements already present in the world that the artist comes in by re-writing the meaning of things.” Douglas de Freitas, curator of the show.

Exhibition full catalogue︎︎︎


“A Guerra do Tempo de Marilá Dardot se reuniu na Chácara Lane, em quase quinze anos de lapsos, apagamentos, comunicações falhas, truncadas ou ainda silenciosas, em que jogos poéticos, semânticos e de poder se estabelecem em um constante exercício de apagar para se reinventar. Como em [seu trabalho] Guerra del tiempo, é no vácuo de elementos que já estão no mundo que a artista atua, reescrevendo o sentido das coisas.” Douglas de Freitas, curador da exposição.

Catálogo da exposição︎︎︎


Longe daqui, aqui mesmo
By Marilá Dardot & Fabio Morais
29a Bienal de São Paulo, São Paulo, 2010



Site specific
Fabio Morais︎︎︎
Longe daqui, aqui mesmo (Far away, right here) was specially created by Marilá Dardot and Fabio Morais for the 29th São Paulo Biennial. Asked to imagine a library for the exhibition, the artists conceived an under construction maze-house, a place made of bricks, affections and tributes.The outside view is an unfinished building. When the visitor enters, he walks through some tiled and wallpapered rooms, crosses doors and steps on carpets with book covers images. Bricks and books are a construction element here (and literature, ideas, words).Reaching the library, the visitor is surprised by a white finished room where he finds books and chairs to enjoy reading.


The artists proposed three collections of books for the library: the answers of the 29th Bienal artists to the question: “Which book would you use to build your house?”; an open call for artists books; and, finally, a selection of contemporary literature. After the end of the exhibition, the books were donated to the Historical Archive Wanda Svevo, maintained by Fundação Bienal de São Paulo and open to public access.


Obra criada especialmente para a 29a Bienal de São Paulo. Os dois artistas foram convidados a imaginar uma biblioteca para a exposição, e o resultado é uma casa-labirinto em construção, um lugar feito de tijolos, afetos e homenagens.O que se vê de fora é um espaço inacabado, como uma casa/labirinto em construção. Quando o visitante entra, caminha através de cômodos revestidos por azulejos e papéis de parede, atravessa portas e pisa sobre tapetes com imagens de capas de livros. Aqui, tijolos e livros (e literatura, ideias, palavras) são elementos de construção.Ao abrir uma das três portas que dá acesso à biblioteca, o visitante é surpreendido por um quarto branco, acabado, onde encontra livros e cadeiras para sentar e apreciar a leitura.


Os artistas propuseram três coleções para a biblioteca: a resposta dos artistas que participam da 29a Bienal para a pergunta: “Com que livro você construiria sua casa?”; um convite aberto para o envio de livros de artistas, e, finalmente, uma seleção de literatura contemporânea feita pelos dois. Após o final da exposição, o acervo será doado ao arquivo histórico Wanda Svevo, da Fundação Bienal de São Paulo, tornando-se permanentemente disponível para consulta pública.